11 diferenças da blogosfera americana para a brasileira
O negócio da blogagem praticamente começou na “gringosfera”. Blogs em inglês são muito mais complexos do que nós imaginamos: não há apenas a ânsia de se passar conhecimento, mas há todo um mercado na “blogosphere“, muito maior do que a blogosfera brasileira. Por lá tem até a tal da “filosofia dos negócios blogueiros”…e aqui, será que a moda pega?
1. Vender um produto
Esse é um jargão da blogosfera inglesa. Os blogueiros de lá teorizam um assunto que é comum aqui no Brasil e em Portugal, tornando-o praticamente científico, de tanta técnica envolvida. E isso faz transpassar mais a ideia de “produto”, que na verdade é o conteúdo comum de nossos blogs, que acaba sendo vendido (mas claro que este conteúdo tem um nível profissional muito maior).
Aqui na blogosfera portuguesa (de Brasil e Portugal), os leitores e internautas não estão preparados para aceitarem informações como produtos. Talvez isso leve um bom tempo. Aqui, informação fora de livros deve ser coisa gratuita, por mais que algumas são vendidas (sempre há exceções, né?).
2. Newsletters especiais
Os blogs ingleses fazem um merchandising pesado enviando e-mails. Assuntos como “Alan, enter on this new great business and earn 5,000+ per month!“, ou “Alan, discover how I earn 25,000 per month just writing” são comuns em e-mails, quando você assina as Newsletters de John Chow ou do Mark, por exemplo. Não é essa coisa comum que encontramos nos blogs brasileiros, apenas repassando os conteúdos escritos em um blog.
3. Criatividade
É dos blogs ingleses que vêm todo o conteúdo blogosférico brasileiro, por mais que nós também produzamos conteúdo. Alguns artigos de blogs ingleses eu nem entendo, de tão complexos. E é assim que eles fazem dinheiro aos montes: “cientifizando” o conteúdo da blogosfera. Pena que, quando estas informações chegam aqui, acabam sendo copiadas descaradamente. Adaptou? Completou? Coloque a fonte da ideia poxa!
4. Volume de tráfego
Um blog em inglês atrai muito mais visitas do que um blog português. Como o inglês é falado universalmente, eles podem escrever tanto para um nativo, quanto para um russo ou japonês. É por isso que vemos dados e estatísticas perfeitas quando estes blogueiros as postam.
5. Eles já falam em “filosofia de negócios”
Enquanto isso, nós ainda falamos sobre ganhar dinheiro online. “You can’t give good away. It keeps coming back to you“.
6. Venda de conteúdo
De uns anos pra cá, eles começaram a vender eBooks (e até mesmo Newsletters!) freneticamente. E o melhor: existe mercado pra isso. Aqui no Brasil, quem compraria novidades por e-mail?
7. Cursos, cursos e mais cursos
De Markting Online, Social Media Marketing e o escambau. Tudo isso com a mais alta qualidade. E com um público porreta. Existem cursos por lá pela bagatela de 900 dólares…mas o interessante é que quem faz estes cursos têm retorno garantido.
8. Os blogs daqui vivem na informalidade
Lá fora as pessoas nas ruas já sabem o que é um blog profissional e que os blogueiros precisam se esforçar, como em qualquer outro trabalho, para ganhar dinheiro. Aqui, o pessoal acha que é fazer um blog, colocar Adsense e sair ganhando. A única área que parece mais profissional, aqui, é a de SEO.
9. Histórias
Na blogosfera inglesa eles adoram relacionar tópicos da blogagem com outras áreas do conhecimento, como o Eureka do Dean Rieck. São artigos que nos fazem voar, turbinados pelos insights que começam a aparecer depois de lê-los.
Aqui o pessoal está começando a criar este tipo de “técnica de repasse do conhecimento”. O artigo do Luli, por exemplo, relacionando a Internet com o Big Bang Theory ficou muito bom.
10. Livros sobre blogagem
Lá fora eles escrevem vários livros sobre blogs profissionais. Não é como aqui que só uma hora ou outra aparece algum livro (e geralmente não exatamente sobre blogagem profissional) e suas propagandas já desaparecem. E ainda vende pouco.
11. Documentários
Lá fora, eles já produzem até mesmo documentários sobre a blogagem. É a produção profissional à todo vapor…o que não ocorre aqui e, portanto, a disseminação deste negócio é muito menor.
Conclusão
Podemos esperar da blogosfera brasileira, um futuro parecido com o que a gringosfera está vivendo hoje (mas quando este futuro chegar, os gringos já estarão muito mais longe, logicamente). Uma hora as coisas de lá acabam pegando por aqui: o pessoal está começando a acessar mais a internet; muitos já conhecem os blogs ou como monetizá-los. E o próximo passo é vender conteúdo e informação!






23 de maio de 2009






A nossa blogagem ainda precisa passar por uma boa reforma para atingir voos mais altos e evoluir cada vez mais,ainda sim temos nossos pontos positivos.
Como sou novato na blogosfera, o meu ainda se prende a exibir conteúdo (coisas diversas). Ainda tenho receio de tentar “monetizá-lo”. Mas bem que gostaria. O problema é que o meu índice diário de visitas ainda é baixo, acho que muito menos de 50 pessoas. Também, estou há praticamente 2 meses apenas no ramo…
Bom post! Ajuda quem está começando.
Abraços,
André
o problema aqui no Brasil é que a maioria das pessoas ainda nao acordaram para o fato que o blog é sim uma forma de trabalho e como vc disse àrduo. Muitos pensam que é um “passatempo” e com isso nao precisam gerar renda.ok! tem o adsense e etc , mas sinceramente nao acredito ser esse o caminho. Existem outras formas de ganhar dinheiro com blogagem. A rede é um mercado, e com audiencia, so…é sò trazer a publicidade direta para dentro dele e eu estou falando de campanhas, de mercado piblicitàrio, de ninchos apropriados para cada tipo de “propaganda”. A questao séria, pra mim, sao os ataques da midia convencional, como jornais ou mesmo a televisao contra os blogs. Elementar meu caro , somos a concorrencia!
O blog ainda no Brasil ainda é mal visto em geral , grande culpa disto é de uma grande maioria dos blogueiros , que fazem questão de ter no teclado somente as teclas ctrl,c e v .Fora isto ,temos ainda o blogueiro intelectulóide , que fala de assuntos que nem ele mesmo conhece !
Muito bom este artigo Alan ,
abraço
Um pouco de história.
Os japoneses após a segunda guerra ficaram arrasados. Houve um grande atraso em seu desenvolvimento. Quando puderam finalmente voltar a investir em seu desenvolvimento, pegaram o que existia “lá fora” e reinventaram. Acabaram sendo um dos países mais desenvolvidos do mundo por quase 2 décadas. O mesmo ocorreu com diversos países.
A blogagem em lingua portuguesa tem uma grande chance de aprender as técnicas usadas na blogagem em inglês e passar a implementá-la por estas bandas. Não falo apenas de sites em português. Tem tecnologia nova que permite traduzir os sites para todas as linguas. Basta agora usá-las.
Abraços.
Sou problogger e luto para que isso seja reconhecido.
Infelizmente o Brasil está longe do ideal para a blogsfera, quando comecei a blogar não encontrei nenhum livro a respeito (só os de linguagens mesmo).
Pensando nisso criei esse meu blog para ensinar o passo-a-passo do pataforma blogger e como podemos transformar um simples blog lá em profissional.
Parabéns pelo excelente texto.
As dificuldades dos brasileiros são muitas, banda larga escassa e cara, poucas pessoas têm computador, o nível educacional ainda é baixo.
Mesmo assim ainda é grande o número de acessos a internet.
Outra coisa é que por aqui a maioria dos blogueiros não segue nenhuma regra profissional, como você falou, é tudo cópia.
Por isso que tem muitos blogueiros que se dizem profissionais que não recomendam que se tente mandar artigos para os agregadores em inglês, temem que descubram-se os seus segredos, ou seja é tudo cópia.
Pessoal, realmente gostei dos comentários!
É, a blogosfera portuguesa tem que melhorar muito ainda.
@Paulo, o Japão foi realmente muito inteligente. Quando no Brasil o pessoal começar a adquirir o conteúdo que um artigo em inglês pode passar, e não apenas copiar descaradamente, a blogagem vai dar um grande salto. Mas isso também tem poucas chances de acontecer: em todo país existem pessoas que copiam conteúdo, de/para qualquer língua.
@Cecília, é isso aí. E força no blog! Gostei do assunto, hehe.
@Catarino, essa do pessoal não gostar do envio dos artigos eu nunca vi, mas foi bom você ter alertado. Deve ser pura sacanagem, hein!
Abraços à todos que comentaram (e à quem não comentou, um abraço também!).